sexta-feira, 13 de abril de 2012

No escurinho do D.A.

Olá, pessoal.
Gostaríamos de, mais uma vez, divulgar o projeto do D.A. Veterinária da UFRPE em parceria com o Laboratório de Humanidades da UFRPE:

No Escurinho do D.A.


O propósito do Diretório Acadêmico é aproximar tanto os estudantes dos diversos períodos do curso de Medicina Veterinária da UFRPE, como os dos demais cursos da universidade para debater as impressões e emoções denotadas pela experiência do filme como proposta humanizadora, além de promover um contraponto para a formação que temos através do modelo tecnicista atual do ensino superior em Pernambuco.
O Diretório Acadêmico propõe uma votação para a escolha de um filme para a próxima edição do "Escurinho" e disponibiliza no Blog do D.A. Veterinária UFRPE - Humanidade as sinopses dos filmes propostos.

O LabHum propôs para votação o filme "A Ilha de Dr. Monreau"



Dá uma olhadinha na sinopse:

'O enredo fala de um médico que cria criaturas monstruosas em uma ilha tropical. Moreau é um cientista obcecado pela idéia de transformar animais em homens através de cirurgias e hipnose. A vivisecação e a transgenia é o crime de que Moreau é acusado ao fazer suas experiências dolorosas em animais. Isto o leva a se refugiar na ilha onde desenvolve suas idéias. Há, nesta obra, toda uma discussão sobre religião, ética científica, behaviorismo e evolução.'

Vamos votar, gente! Entrem no blog do D.A. Veterinária (disponibilizado no link acima) e participar!

Obrigada!

segunda-feira, 12 de março de 2012

Educar para a vida ou treinar para o mercado?


Por Rozélia Bezerra.

Para iniciar esta conversa trago uma provocação seríssima, feita pelo meu amigo e, apesar de tão distante, companheiro de trabalho, o professor Rafael Ruiz Nós conversávamos, pelo e-mail, sobre a formação de nossos jovens (e nem tão jovens) estudantes. Ele me dizia que as

[...] habilidades e competências são coisas técnicas que se ensinam com o treino. Treinar, a gente treina cachorro. O que é preciso é educar, não treinar. E para isso nem as habilidades nem as competências são suficientes. Ou se tem virtude, ou não se tem. Shakespeare disse tudo sobre o mundo moderno: ser ou não ser. essa é a questão. Parecer é precisamente o que se consegue com habilidades....parecer ser competente. Mas ser competente é outra coisa (RUIZ, 2011).

Esses momentos foram antecedentes à minha preparação para ir apresentar minha tese para o grupo de professores e estudantes que compõem o Grupo de Trabalho que ora debate a elaboração do Projeto Político Pedagógico do Curso de Medicina Veterinária da UFRPE.
Passaram-se semanas. Continuamos nos debates sobre a formação do Médico Veterinário. Novamente, a luta entre ser ou não ser cientista. Treinar ou não treinar, eis a questão.
É sábado. Acordo-me muito cedo e vou ler. Termino Dostoievski (Uma história fantástica) que me falou da necessidade urgente de humanizar o humano. Hã?! Como assim?! De sentir simpatia pelo outro e olhar em seu rosto. Aí pego um artigo de Fernando Cembranelli, sobre um projeto de humanização em saúde e ele (me) pergunta de modo direto: um projeto de humanização para que e para quem? E me diz que é preciso humanizar o humano, para ter simpatia pelo outro e olhar para o rosto do outro. Hã?! Como assim?! E isto é necessário?
 Séculos separam os autores, Fiódor e Fernando, porém eles se irmanam no e através do apelo pela humanização do humano. Aí, me veio a idéia de um outro filósofo: Emmannuel Lévinas que, também nos falou dessa necessidade de olharmos uns no rosto do outro. E meu pensamento vagueia pela a aridez das salas de aula: que espaço é este? Elas são arrumadas de modo a não permitirem as trocas de olhares. O que se mira é a nuca, na maioria das vezes curvadas sobre um caderno, ou, tesas porquê postas naquele que professa aquilo que acredita ser a sua (del@) verdade. Aqui já deu para perceber que me refiro ao professor que fala, fala e fala...e dos, literalmente, alumnis que escutam, escutam e escutam, passivos. É o momento de mirar um rosto que, por vezes, não é o espelho de ninguém. Um espelho machadiano, o espelho do Alferes[1]...
Antes de terminadas as divagações e leituras, minha barriga lembra uma necessidade básica do ser vivente: comer. Vou cuidar do café da manhã, meu e de meus dois gatinhos.

Universidade: clone do mercado?

Como, lavo a louça e volto para a rede e fico a olhar a paisagem. As casuarinas, como braços que se erguem para o céu, se movem, rítmicas, lentas. Lembram uma música de Los Hermanos[2], que fala do vento entrando pela fresta de uma janela, que lembra minha infância na, pequeníssima, Gravatá do Ibiapina (está no google, procurem) e das histórias de cruviana...e eu deitada na rede de meu quarto, agora sinto que é a minha vez de perguntar: quando perdemos a humanidade? E quando isto acontece nos transformamos em que?
Aí, cansada de lagartear, me apego a outra leitura.[3] Desta vez é uma coletânea de artigos organizada por Renato Janine Ribeiro[4]. Na apresentação feita por ele achei, muito bem exposta, diga-se de passagem a pergunta que, ainda, permeia os debates do GT Coordenação do curso de Medicina Veterinária: o curso deve Educar para a vida ou treinar para o mercado?
Olha só, Janine chama isto de “clonar o mercado” (p.15).
Hã!? Como assim?! Deve, então, a universidade clonar o mercado? Ouvindo a maioria dos professores do Departamento de Veterinária diz que sim. Some-se o fato que, para termos o respeito da sociedade, o treinamento deve ser cientificista e com regras. Não retire de mim minha carga de horas-aula senão não terei tempo de formar um cientista. A lebre maluca de Alice...  
Quando a universidade pensa em clonar o mercado sua prática de ensino será pautada no treinamento d@[5] estudante. A formação terá como meta as competências necessárias para ocupar um cargo. Neste caso, a universidade será um simulacro da empresa que absorverá o futuro profissional. Sua proposta curricular privilegiará as disciplinas escolares voltadas para atender a demanda do mercado. Ora, quem deve treinar o estudante é a empresa que deseja ter um empregado com habilidade. A universidade deve conduzir o estudante em seu processo de formação total, inclusive a técnica, mas também a arte, inclusive a da vida.
Na minha inquietude habitual, lembro de um autor que estuda o Currículo. Paro de ler Janine. Vou lá na estante e pego o livro de Miguel Arroyo. Em seu mais recente estudo sobre Currículo (2011) lá na página 102 ele considera que “Quando os educandos são reduzidos a empregáveis a docência transforma-se em treinamento”.
Palmas para Rafael Ruiz.
Casa Forte, no Recife.
2011.
____________________________

[1] Conto que me lembra a História da Medicina, quer humana, quer Veterinária...
[2] Maria Clara, labhumanina como eu, sabe do que falo...
[3] O sábado pela manhã é convidativo porque não faço nada por obrigação, nem tenho a correria dos dias que tem feira como extensão. Todos tão corridos e atarefados, mal dá tempo de saber quem sou de verdade. A pausa nessa correria toda é a terça-feira entre meio dia e 13:30, quando nos reunimos no Laboratório de Humanidades. O oásis na aridez do Departamento de Medicina Veterinária da UFRPE.
[4] RIBEIRO, Renato Janine. Apresentação do Organizador. In: HUMANIDADES um novo curso na USP. São Paulo: EDUSP, 2001. p. 11-30.
[5] Usarei a convenção @ para me referir ao sexo masculino e feminino.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

I Simpósio de Ética, Bioética e Bem-Estar Animal do CRMV - PB


O Conselho Regional de Medicina Veterinária da Paraíba - CRMV-PB irá realizar neste mês de Março de 2012, nos dias 23 e 24, o I Simpósio de Ética, Bioética e Bem-estar Animal na cidade de João Pessoas -PB.

O evento tem o objetivo de favorecer a construção de conhecimentos e atualização na área de ética, bioética e bem-estar animal, discutindo temas  numa ampla abordagem  com a participação de especialistas na área.

O público alvo será os profissionais e estudantes das áreas de Medicina Veterinária e Zootecnia.

O Local do evento será no Auditório da Superintedência Federal de Agricultura no Estado da Paraíba - SFA/PB.

A programação está disponível no site do CRMV-PB.

As inscrições poderam ser feitas gratuitamente através do email crmvpb@crmvpb.org.br.



quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Breves, brevíssimas notas sobre consciência, conscientizar(ção), Alice, Matrix e Sociedade dos Poetas Mortos. O que tem em comum?

Este é um pequeno ensaio [ou nota, como o próprio título diz] produzido pela professora Rozélia Bezerra, coordenadora do Laboratório de Humanidades da UFRPE.
 
Breves, brevíssimas notas sobre consciência, conscientizar(ção), Alice, Matrix e Sociedade dos Poetas Mortos. O que tem em comum?
 
Por Rozélia Bezerra
Na terça-feira (07 de junho de 2011) nos reunimos no LabHum-UFRPE para continuar a leitura de Alice Através do Espelho. Lá pelas tantas, chegamos no ponto de debater a pressa da rainha e sua corrida desenfreada com Alice. Foi quando alguém perguntou: Correr para que? Para chegarmos em que ponto? E Máina falou da loucura da universidade, da corrida desenfreada pelo tal curriculum lattes, da afobação que se vive, dos baobás, poucos, mas poderosos, alimentados pela corrida científica.  Aí alguém lembrou que só entra nessa correria quem assim o deseja, que quem tem consciência não faz isto. Foi quando questionei: Então, o que é consciência? Alguém falou de “ego, super-ego, id”. Carol falou que treme nas bases quando ouve estes termos. E eu perguntei: Alguém é capaz de conscientizar o outro? E Maria Clara...“desisto, não sei o que é. Acho que é moral”. E Rhayssa lembrou de Paulo Freire, e disse que "não, não se conscientiza o outro". Nesse ponto chegou-se à conclusão: consciência é algo que a gente tem ou não. Vinda de fora passamos a ser doutrinados.
Pois bem, a partir daqui prefiro trazer algumas notas. Primeiro esclarecer que é impossível esgotar o tema, principalmente, em tão pouco tempo como é o LabHum e mesmo aqui neste texto, por isto mesmo as notas, anotações.
As meninas (elas sabem quem são) disseram que pegaram uma mania de analisar a etimologia das palavras para compreendê-las. Então vamos fazer essa digressão para segui-las e para tentar compreender a tal consciência, conscientizar(ção). Co, cum, dá a idéia de contiguidade, continuação, companhia. Por sua vez, ciência, (do latim sciēns-entis) significa conhecimento, saber, informação. Portanto, consciência (do latimconsciens-tes) significa ter conhecimento de algo e conscientizar-se é tomar consciência de uma dada realidade concreta, que tanto pode ser existencial, quanto social. Isto não é fácil e deriva de um longo esforço.
Tem um blog que gosto porque nos fala, de modo simples sobre de coisas complexas[1]. Considero feliz o que o dono dele (nem sei se é assim que fala) escreveu sobre conscientizar-se. Olha só: “un ciego no ve las cosas porque alguien se las describa. Tiene que verlas él mismo. A ese ver él mismo es a lo que podemos llamar concientizarse, o sea, a una especie de comprensión que nace de un esfuerzo prolongado.Porque implica una lucha y conquista personal de la libertad, de la autonomía del sujeto, y, como decía Paulo Freire, la libertad es un parto lento y doloroso”.
E eu pergunto: quem quer algo difícil e doloroso? É tão mais fácil a efemeridade do moderno! A certeza conferida pelo moderno. A indiferença que este moderno favorece. E isto nos leva a correr e só ver, de passagem, as coisas e as pessoas que estão ao nosso redor. Seja correndo com a Rainha, seja correndo atrás do Coelho Branco, estamos correndo. E, se não tomarmos cuidado, daqui a pouco estaremos repetindo o que eles dizem “Mais rápido, mais rápido...é tarde, estou atrasado, estou atrasado”.
Neste ponto lembro de filmes: “Matrix” (com sua fé absoluta na ciência e o esquecimento do humano e no ser indiferente) Por fim, chamo a atenção para uma coisa: o fato de conhecermos um caminho nos leva, necessariamente, a enveredar por ele ou somos livres para uma escolha? Recorro ao filme  “Sociedade dos poetas mortos” para pensar sobre a vida ser feitas de escolhas e ser um poema. Por isto reforço a pergunta essencial que o professor faz aos meninos: “com qual verso você quer contribuir?”.


[1] http://educayfilosofa.blogspot.com. Por Marcos Santos Gómez.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

I Colóquio Internacional de Humanidades e Humanização em Saúde


O Centro de História e Fisolofia das Ciências da Saúde - CeHFi da UNIFESP irá realizar nos dias 16, 17 e 18 de Novembro de 2011 o I Colóquio de Humanidades e Humanização em Saúde. O evento promoverá o encontro de estudiosos da temática humanização, um espaço de encontro e discussão de ideias e experiências realizadas nos âmbitos nacional e internacional.

Para maiores informações acessar o site: http://www.unifesp.br/centros/cehfi/1o_coloquio/index.html

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Mudança no local do Colóquio de Medicina Veterinária

Pessoal, houve uma modificação APENAS NO LOCAL do Colóquio de Medicina Veterinária desse mês.

Será no D.A. VETERINÁRIA!
MESMO HORÁRIO E DATA.


Grande abraço e vejo vocês lá!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Colóquio de Medicina Veterinária: o ensino da medicina veterinária

 
Olá, pessoal.

O D.A. Humanidade e o Laboratório de Humanidades convidam todos a participar do
 
COLÓQUIO DE MEDICINA VETERINÁRIA: o ensino da Medicina Veterinária.

a ser realizado no ANFITEATRO da REPRODUÇÃO do Hospital Veterinário

pela manhã, das 9:00 às 12:00 horas
a tarde, das 14:00 às 17:00 horas

O que acontece no ensino da medicina veterinária hoje em dia que faz com que estudos indiquem que somos os estudantes mais deprimidos dentre todos os outros?

Vai ser muito interessante tentar responder isso!

Grande abraço

terça-feira, 18 de outubro de 2011

II Cine-debate No Escurinho do D.A.



Oi, gente!!
O Diretório Acadêmico (D.A.) de Medicina Veterinária e o Laboratório de Humanidades da UFRPE promovem, nesta quarta-feira (19/10), o cine-debate Escurinho do D.A, em duas sessões, das 9h às 12h e das 14h às 17h, no auditório do Departamento de Medicina Veterinária (DMV). Será exibido o filme Sociedade dos poetas mortos.
Após a exibição, o público debate sobre os assuntos abordados, incluindo as questões sociais, as relações com a profissão e a ética, entre outros temas.
Mais informações pelo telefone: 3320.6443 ou no blog:http://www.humanidadevet.blogspot.com/

domingo, 11 de setembro de 2011

Um admirável Novo Tempo

Por Rozélia Bezerra 


Hoje, 10 de setembro de 2011, fui tomar café da manhã e me lembrei da música de Ivan Lins chamada “Novo Tempo”. Tudo porque amanheci pensando no turbilhão de emoções que cercou a estréia do “No escurinho do DA – Cinedebate”.  Projeto parceiro entre o Diretório Acadêmico de Medicina Veterinária – UFRPE – Dois Irmãos e o LabHum – UFRPE. Os encontros ocorrem mensalmente. Estreou neste dia 09 de setembro em virtude de ser a data de escolha para comemorar o Dia do Médico Veterinário.

O filme? Nem é um clássico, daqueles imorredouros. È uma película bem recente (2011) chamada “Água para elefantes”. Teve exibição pela manhã e à tarde. Ao fim de ambas, carregadíssimas de emoção, todos, meninos e meninas, choravam. Ora, meninos não choram! Não é assim que aprendemos?!  Mas, não é assim que se dá na prática (pelo menos, às vezes).
A grande conclusão que chegamos: o ensino “hard” na Medicina Veterinária está nos desumanizando. Vimos que sentimentos não podem ficar de fora da formação de quem se decidiu ser médico e médica. A clínica é importante, a cirurgia é importante, mas a experiência extra da vida é necessária. Treinar, como a universidade faz, não nos torna um médico melhor, nem pessoa melhor. É preciso sentimento. Como reagir e se opor a isto? Através das Humanidades.
O LabHum – UFRPE se congratula com a gestão HUMANIDADES do  Diretório Acadêmico da Medicina Veterinária. Com esta nova parceria temos um desejo comum: que estejamos nos encaminhando para um Novo Tempo na formação do médico e médica veterinári@. Um tempo que nos traga de volta a Humanidade perdida.
Mando a letra da música porque creio que ela vale para o momento.

Novo tempo

No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos crescidos, estamos atentos, estamos mais vivos
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
Da força mais bruta, da noite que assusta, estamos na luta
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver
Pra que nossa esperança seja mais que a vingança
Seja sempre um caminho que se deixa de herança
No novo tempo, apesar dos castigos
De toda fadiga, de toda injustiça, estamos na briga
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
De todos os pecados, de todos enganos, estamos marcados
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver
No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos em cena, estamos nas ruas, quebrando as algemas
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
A gente se encontra cantando na praça, fazendo pirraça


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

II Ciclo de Atividades - 2011.2

Começo das atividades de 2011.2


Iniciamos o II Ciclo de Atividades do LabHum da UFRPE  na terça-feira 30/08!

Estamos discutindo O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel, do Tolkien. Sair do conforto e tranquilidade que é a Vila dos Hobbits e enveredar por um caminho cheio de gente estranha, cavaleiros negros, dúvidas e perigos foi no mínimo desafiador para o Frodo. Agora, depois de acompanharmos ele nos seus desafios, a gente sai do conforto e tranquilidade do dia-a-dia para pensar nos caminhos que a gente tem que trilhar e observar esses caminhos sob a luz diferente da Terra-Média.
 
A primeira reunião já levantou questões bem interessantes, como: a inocência é a ausência da culpa?
 
As reuniões continuam nas terças-feiras das 12:00 às 13:30.
 
Participe e lembre-se: as "histórias de não leitura" são muito importantes também! Você não precisa ter lido a obra para participar das reuniões! Seu interesse já é muito importante!
 
Até mais!
 
 

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Educar para a vida ou treinar para o mercado? Hã?!.

Por Rozélia Bezerra.

Para iniciar esta conversa trago uma provocação seríssima, feita pelo meu amigo e, apesar de tão distante, companheiro de trabalho, o professor Rafael Ruiz. Eu me preparava para ir apresentar minha tese para o grupo de professores e estudantes que compõem o Grupo de Trabalho que ora debate a elaboração do Projeto Político Pedagógico do Curso de Medicina Veterinária da UFRPE. Nós conversávamos, pelo e-mail, sobre a formação de nossos jovens (e nem tão jovens) estudantes. Ele me dizia que as

[...] habilidades e competências são coisas técnicas que se ensinam com o treino. Treinar, a gente treina cachorro. O que é preciso é educar, não treinar. E para isso nem as habilidades nem as competências são suficientes. Ou se tem virtude, ou não se tem. Shakespeare disse tudo sobre o mundo moderno: ser ou não ser. essa é a questão. Parecer é precisamente o que se consegue com habilidades....parecer ser competente. Mas ser competente é outra coisa (RUIZ, 2011).

Passam-se semanas. Continuamos nos debates sobre a formação do Médico Veterinário. Novamente, a luta entre ser ou não ser cientista. Treinar ou não treinar, eis a questão.
É sábado. Acordo-me muito cedo e vou ler. Termino Dostoievski (Uma história fantástica) que me falou da necessidade urgente de humanizar o humano. Hã?! De sentir simpatia pelo outro e olhar em seu rosto. Aí pego um artigo de Fernando Cembranelli, sobre um projeto de humanização em saúde e ele me pergunta de modo direto: um projeto de humanização para que e para quem? E me diz que é preciso humanizar o humano, ter simpatia pelo outro e olhar para o rosto do outro. Hã?! Como assim?!
 Séculos separam os autores, Fiódor e Fernando, porém eles se irmanam no e através do apelo pela humanização do humano. Aí, me veio a idéia de um outro filósofo: Emmannuel Lévinas que, também nos fala dessa necessidade de olharmos uns no rosto do outro. E meu pensamento vagueia pela a aridez das salas de aula: que espaço é este? Elas são arrumadas de modo a não permitirem as trocas de olhares. O que se mira é a nuca, na maioria das vezes curvadas sobre um caderno, ou, tesas porquê postas naquele que professa aquilo que acredita ser a sua (del@)) verdade. Aqui já deu para perceber que me refiro ao professor que fala, fala e fala...e dos, literalmente, alumnis que escutam, escutam e escutam, passivos. É o momento de mirar um rosto que, por vezes, não é o espelho de ninguém. Um espelho machadiano, o espelho do Alferes[1]...
Antes de terminadas as divagações e leituras, minha barriga lembra uma necessidade básica do ser vivente: comer. Vou cuidar do café da manhã, meu e de meus dois gatinhos.

Universidade: clone do mercado?

Como, lavo a louça e volto para a rede e fico a olhar a paisagem. As casuarinas, como braços que se erguem para o céu, se movem, rítmicas, lentas. Lembram uma música de Los Hermanos[2], que fala do vento entrando pela fresta de uma janela, que lembra minha infância na, pequeníssima, Gravatá do Ibiapina (está no google, procurem) e das histórias de cruviana...e eu deitada na rede de meu quarto, agora sinto que é a minha vez de perguntar: quando perdemos a humanidade? E quando isto acontece nos transformamos em que?
Aí, cansada de largatear, me apego a outra leitura.[3] Desta vez é uma coletânea de artigos organizada por Renato Janine Ribeiro[4]. Na apresentação feita por ele achei, muito bem exposta, diga-se de passagem, a pergunta que, ainda, permeia os debates do GT Coordenação do curso de Medicina Veterinária: o curso deve Educar para a vida ou treinar para o mercado?
Olha só, Janine chama isto de “clonar o mercado” (p.15).
Hã!? Como assim?! Deve, então, a universidade clonar o mercado? Ouvindo alguns professores da Veterinária, a maioria que ouvi, diz que sim. Some-se o fato que, para termos o respeito da sociedade, o treinamento deve ser cientificista e com regras. Não retire de mim minha carga de horas-aula senão não terei tempo de formar um cientista. A lebre maluca de Alice...  
Quando a universidade pensa em clonar o mercado sua prática de ensino será pautada no treinamento d@[5] estudante. A formação terá como meta as competências necessárias para ocupar um cargo. Neste caso, a universidade será um simulacro da empresa que absorverá o futuro profissional. Sua proposta curricular privilegiará as disciplinas escolares voltadas para atender a demanda do mercado. Quem deve treinar o estudante é a empresa que deseja ter um empregado com habilidade. A universidade deve conduzir o estudante em seu processo de formação total, inclusive a técnica, mas também a arte, inclusive a da vida.
Na minha inquietude habitual, lembro de um autor que estuda o Currículo. Paro de ler Janine. Vou lá na estante e pego o livro de Miguel Arroyo. Em seu mais recente estudo sobre Currículo (2011) lá na página 102 ele considera que “Quando os educandos são reduzidos a empregáveis a docência transforma-se em treinamento”.
Palmas para Rafael Ruiz.
Casa Forte, no Recife.
2011.




[1] Conto que me lembra a História da Medicina, quer humana, quer Veterinária...
[2] Maria Clara, labhumanina como eu sabe do que falo...
[3] O sábado pela manhã é convidativo porque não faço nada por obrigação, nem tenho a correria dos dias que tem feira como extensão. Todos tão corridos e atarefados, mal dá tempo de saber quem sou de verdade. A pausa nessa correria toda é a terça-feira entre meio dia e 13:30, quando nos reunimos no Laboratório de Humanidades. O oásis na aridez do Departamento de Medicina Veterinária da UFRPE.
[4] RIBEIRO, Renato Janine. Apresentação do Organizador. In: HUMANIDADES um novo curso na USP. São Paulo: EDUSP, 2001. p. 11-30.
[5] Usarei a convenção @ para me referir ao gênero masculino e feminino.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Os “Papéis Avulsos” de Machado de Assis e os sinais da desumanização na formação dos médicos veterinários.

Este texto  foi originalmente publicado e apresentado no V Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde, evento que ocorreu em abril de 2011, em São Paulo. É  de autoria da estudante Caroline Coenga, discente da Medicina Veterinária da UFRPE, juntamente com a professora Rozélia Bezerra.

Os “Papéis Avulsos” de Machado de Assis e os sinais da desumanização na formação dos médicos veterinários.

Caroline Coenga e Rozélia Bezerra

Escrevo este trabalho em tom confessional porque sinto necessidade de fazer minha narrativa sobre a formação desumanizadora que o ensino da Medicina Veterinária oferece a seus graduandos e de como as humanidades constituíram um meio para refletir sobre este fenômeno.
Como representante nacional dos estudantes do curso de Medicina Veterinária, tenho participado de seminários e encontros que debatem esta formação. As proposições curriculares trazem fragmentos de um discurso liberal “o sistema educacional deve ser tão eficiente quanto qualquer empresa econômica”. Ou pretendem copiar “precisamos construir no Brasil as vertentes dominantes da educação estadunidense”. Ou então enveredam pelos caminhos das “habilidades e as competências”. Sei que para ser uma médica veterinária precisarei de conhecimentos técnicos, mas questiono: só isto basta? Humanistas como Marañon (1946) acreditam que não. Só isto nos aproxima dos monstros da razão.
 Por sua vez, as Diretrizes Curriculares para a formação dos veterinários propõem que “os alunos devem ter uma sólida formação generalista, crítica, humanista e reflexiva”, seja lá o que se pense deste “humanista”. O que me desesperava era a sensação que tinha da cegueira coletiva que parecia dominar os envolvidos nos debates sobre este campo. Perguntava: o que isto significa? As respostas começaram a se delinear quando passei a freqüentar o Laboratório de Humanidades da UFRPE. Pude compreender que se tratavam de uma formação profissional centrada no progresso científico do indivíduo e que isto é um dos sinais da desumanização.
 A partir das leituras e debates de alguns contos do livro “Papéis Avulsos”, da autoria de Machado de Assis, compreendi que, na Medicina Veterinária a predominância é da alma externa. Através da formação acadêmica desumanizada e desumanizadora o “veterinário eliminou o homem”. Hoje percebo que, para os estudantes e profissionais “As dores humanas, as alegrias humanas, só eram isso, mal obtinham de mim uma compaixão apática ou um sorriso de favor”. [1] Eu os identifico com os Pomadas e seus pomadistas do conto “O segredo do bonzo”. São eles que rechaçam, menosprezam os veterinários patch adams, libertos de medalhões e desprovidos de narizes metafísicos, os que constituem a classe dos “loucos”, “os viajados”.
 A partir de mais uma de minhas leituras no LabHum concluo da seguinte forma: eu prefiro ver minha cara de mulher ridícula, verdadeira e humana, que chora e, às carreiras, sobe as escadas de um anfiteatro para abraçar alguém com quem me identifico na mesma dor. Quero ter minha alma interior... quero saber que me tornarei uma veterinária, mas não perderei minha humanidade.

 ____________________________________________
1- Assis, Machado de. Papéis Avúlsos. São Paulo: Martin Claret, 2006. 

Completo esse texto, se as autoras me permitem, com um detalhe especial que a Caroline Coenga acrescentou à apresentação:

Precário, provisório, perecível;
Falível, transitório, transitivo;
Efêmero, fugaz e passageiro
Eis aqui um vivo, eis aqui um vivo!

Impuro, imperfeito, impermanente;
Incerto, incompleto, inconstante;
Instável, variável, defectivo
Eis aqui um vivo, eis aqui...

E apesar...
Do tráfico, do tráfego equívoco;
Do tóxico, do trânsito nocivo;
Da droga, do indigesto digestivo;
Do câncer vil, do servo e do servil;
Da mente o mal doente coletivo;
Do sangue o mal do soro positivo;
E apesar dessas e outras...
O vivo afirma firme afirmativo
O que mais vale a pena é estar vivo!

É estar vivo
Vivo
É estar vivo

Não feito, não perfeito, não completo;
Não satisfeito nunca, não contente;
Não acabado, não definitivo
Eis aqui um vivo, eis-me aqui
.

Lenine - Vivo

quinta-feira, 31 de março de 2011

Em Todos os Sentidos - Olfato: O Sentido Mudo.

Nosso primeiro texto de uma série de cinco. Por isto o título "Em todos os sentidos"


EM TODOS OS SENTIDOS
Por Rozélia Bezerra


1. OLFATO: O SENTIDO MUDO.

O que dizer do olfato?
            Isabel Allende[i] nos diz que é nosso sentido mais antigo. Que o gosto e o olfato são inseparáveis. Em sua prosa ligeira escreveu “A tentação do café não nasce do sabor, que deixa um resquício de fumaça na lembrança, mas dessa fragrância intensa e misteriosa do bosque remoto. Com os olhos fechados e o nariz tampado não podemos distinguir entre uma batata crua e uma maçã, entre gordura e chocolate”.
Por sua vez,  Helen Keller, uma americana, cega, surda e muda dizia que “O olfato é um mágico poderoso que nos transporta, percorrendo a distância de milhares de milhas e de todos os anos que vivemos...Mesmo quando apenas penso nos cheiros, minhas narinas ficam plenas de aromas que despertam doces memórias de verões passados e campos distantes.”
Segundo Diane Ackerman[ii], os cheiros tem forma e podem ser agrupados em categorias básicas: mentolado (menta, hortelã), etéreos (pêras), desagradável (ovos podres). Os alimentos, em grande parte, dependem de seu cheiro para terem sabor. Para ela “pensamos porque cheiramos”.
O olfato foi estudo foi estudado por um médico francês chamado Nöel Hallé que resolveu analisar os odores parisienses nas margens do Sena.
Chico Science dizia que “O Recife fede”.
Mas, Al Pacino, no filme “Perfume de Mulher”  é quase mitológico. Tem aquele outro filme lá “O Perfume”. Eu tinha lido o livro lá pelos idos de 1990. È avassalador.
Mas que melhor nos fala de olfato  é Adélia Prado.

      A menina do olfato delicado – Adélia Prado.
 
Quero comer não, mãe
(no canto do fogão o caldeirão esmaltado)
quero comer não, mãe
(arroz com feijão, macarrão grosso)
quero comer não, mãe
(sem massa de tomate)
quero comer não, mãe
(com gosto de serragem)
quero comer não, mãe
(com cheiro de carbureto)
quero comer não,
(vi um gato no caminho, fervendo de bicho)
quero comer não, mãe
(quando inaugurar a luz elétrica e o pai
consumir com o gasômetro, eu como).
Vamos ficar no escuro, mãe. Põe lamparina,
põe gasômetro não, o azul dele tem cheiro,
o cheiro entra na pele, na comida, no pensamento,
toma a forma das coisas. Quando a senhora tem
raiva sem xingar é igual a ruindade do gasômetro,
a azuleza dele. Vomito mãe. Vou comer agora não.
Vou esperar a luz elétrica


 


[i] No livro Afrodite.
[ii] Uma história Natural dos sentidos, Bertrand Russel, 1990.
.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Além do Limpo e do Sujo: Os Sentidos e Sentimentos na Prática da Higiene Alimentar.

Com este trabalho inicio uma série de 6 textos sobre os "Sentidos e sentimentos na alimentação". Como se referem aos cinco sentidos, haverá uma para cada dia da semana. Convidei uma poeta bem mineira para abrilhantar e humanizar os escritos. Trata-se de não outra que não sossa Adélia Prado. Sentem-se à mesa com ela e deliciem-se...

Rozélia Bezerra - coordenadora LabHum-UFRPE.

Além do limpo e do sujo: os sentidos e sentimentos na prática da higiene alimentar.
Por Rozélia Bezerra

Aula-banquete para abertura da disciplina Higiene e Segurança Alimentar. Em 22/03/2011.

Senti-me particularmente honrada quando a Professora Virgínia me chamou para ministrar esta aula de encerramento do semestre letivo no curso de Gastronomia. Ela me explicou que haveria um café da manhã e, em seguida, eu ministraria a palestra.  Imediatamente respondi: - Será uma comemoração...ou seja, é comer e lembrar, festejar e lembrar, e, neste momento lembrei dos Banquetes e dos Symposium da antiguidade, cuja função era exatamente esta: comer e falar sobre alguma coisa de interesse da comunidade...tal qual ocorreu no Banquete de Platão, quando os convidados se reuniram para falar sobre o Amor.
Mas, voltando ao convite fiquei a me perguntar: Por que a professora me pediu isto? Para entendê-la, busquei o programa da disciplina para ver o objetivo: “utilizar os conhecimentos básicos de microbiologia para garantia da higiene e segurança na produção de alimentos”. Para conseguir isto, estudem-se leis, tratados, manuais, fluxogramas. A partir desta perspectiva fiquei, como se diz popularmente, matutando e me fiz a seguinte pergunta: e as pessoas envolvidas neste processo não contam? Eu mesma achei a resposta: Contam tanto que a professora Ana Virgínia me chamou para falar sobre outras faces da higiene. Disse-me ela “Fale alguma coisa sobre “além do limpo e do sujo na higiene alimentar”.  Aí veio uma questão de lógica: o tema “além do limpo e do sujo na higiene alimentar” é muito amplo. Como superar este dilemaa?! Pois muito bem, como estava aprontando aula para outro curso sobre a higiene dos sentidos e sentimentos, achei por bem falar para vocês sobre isto. Deste modo dei o seguinte título à nossa conversa: Além do limpo e do sujo ou os sentidos e sentimentos na prática da higiene alimentar.
Veio então, uma questão de método: como farei para abordar sentidos e sentimentos voltados para a higiene dos alimentos? E, então, tive uma idéia: Ler, e, ao mesmo tempo, cheirar, tocar, ver, ouvir e comer com vocês. Ou seja, usar todos os sentidos e os sentimentos... e, ao mesmo tempo, comemorar com vocês...comer e memorar, comer e lembrar com vocês. Para abrir a janela da alma, convido Adélia Prado, através de um poema intitulado: Sensorial.



SENSORIAL – Adélia Prado
Obturação, é da amarela que eu ponho.
Pimenta e cravo,
mastigo à boca nua e me regalo.
Amor, tem que falar meu bem,
me dar caixa de música de presente,
conhecer vários tons pra uma palavra só.
Espírito, se for de Deus, eu adoro,
se for de homem, eu testo
com meus seis instrumentos.
Fico gostando ou perdôo.
Procuro sol, porque sou bicho de corpo.
Sombra terei depois, a mais fria.